an abstract photo of a curved building with a blue sky in the background

Ao longo de 2026, o projeto Minha Arte, Minha Vida percorreu nove municípios do Maciço de Baturité e Fortaleza.

Promovendo oficinas gratuitas de desenho e pintura e reunindo participantes com diferentes deficiências, entre elas, pessoas com deficiência visual, auditiva e intelectual, pessoas autistas e participantes com outras deficiências.

Mais do que ensinar técnicas, as oficinas criaram espaços de experimentação artística, convivência e expressão. Entre papéis, pincéis, tintas, formas, texturas e cores, cada participante foi convidado a encontrar seus próprios caminhos para criar.

Em cada oficina, pequenos gestos revelavam grandes descobertas: um aluno que depois de vencer a insegurança inicial, quis ser fotografado com sua obra; outro aluno que surpreendeu a família ao desejar permanecer mais tempo na atividade; e o participante que encontrou na arte um espaço de expressão com cores, formas e texturas.

E o cenário dessas experiências: Maciço de Baturité. Uma região no sertão central cearense, composta por Baturité, Pacoti, Palmácia, Guaramiranga, Mulungu, Aratuba, Capistrano, Itapiúna, Aracoiaba, Acarape, Redenção, Barreira e Ocara. Uma região onde encontramos uma comunidade acolhedora e criativa.

Ao levar o projeto para o Maciço de Baturité, encontramos pessoas com diferentes formas de criar, expressar sentimentos e perceber o mundo.

Mestra Fransquinha, tesouro vivo da cultura cearense

Mestra Fransquinha, Francisca Rodrigues Ramos do Nascimento, é artesã e Mestra da Cultura Tradicional Popular do Ceará. Suas bonecas de barro, que se tornaram sua principal produção artística, ajudaram a sustentar sua família e hoje representam um importante legado da cultura cearense.

O encontro de Dias Brasil com a obra da Mestra Fransquinha aconteceu na exposição Legado dos Mestres, no Espaço de Cultura da Cegás, por meio das fotografias de Jarbas de Oliveira e do livro que reunia 74 mestres da cultura cearense. Ao conhecer a história de Fransquinha e suas bonecas, Dias conta que se encantou de imediato. Mais tarde, ao escrever o projeto Minha Arte, Minha Vida, escolheu a Mestra como referência cultural.

Nas oficinas, as bonecas de Mestra Fransquinha se tornaram o ponto de partida para os exercícios de desenho e pintura. Ao observar suas formas e cores, cada participante foi convidado a criar sua própria versão, imprimindo às figuras um olhar singular. A obra da Mestra atravessa, assim, novas mãos e imaginações: inspira outras criações e mantém viva uma história que continua a se transformar por meio da arte.

Mães atípicas, pais atípicos e cuidadores são fundamentais na vida das pessoas com deficiência, mas também precisam ser ouvidos, acolhidos e apoiados. Ter tempo para si não é egoísmo: é uma necessidade. Construir redes de apoio, compartilhar experiências e reconhecer quem cuida são passos essenciais para uma inclusão que alcance não apenas as pessoas com deficiência, mas também suas famílias. Quem cuida, quem acompanha e quem ama, também precisa ser acolhida.

Cuidar de quem cuida.

A inclusão também começa quando quem cuida encontra espaço para ser acolhido.

Em uma roda de conversa conduzida pela psicóloga do projeto,
Julia Janay, mães, pais e cuidadores foram convidados a compartilhar experiências e conversar sobre saúde emocional, autocuidado, desafios cotidianos, inclusão, relações familiares e desenvolvimento infantil.

A presença expressiva de mães atípicas, muitas delas solo, evidenciou a importância de criar espaços de escuta para quem dedica grande parte do tempo ao cuidado dos filhos. Ali, suas histórias, dificuldades e conquistas puderam ser compartilhadas sem julgamentos. Mais do que ouvir, a proposta foi acolher e despertar a consciência de que o próprio bem-estar também importa.

Cuidando de quem cuida

Quem cuida também cria

Em oficinas de artesanato, macramê e bordado, além de atividades como o dia de beleza realizado em Palmácia, mães, pais e cuidadores tiveram a oportunidade de experimentar, criar e reservar um tempo para si.

As atividades aconteceram nos municípios com a colaboração de artistas locais como Ana Kássia Ramos @@ana_kassia_ramos, artista e oficineira, e membros da equipe do projeto, como Yasmin Lengruber, que, além da produção local, reuniu as mães para um atelier de bordado.

Em seis meses de projetos, reunimos números que podem continuar crescendo em outras ediçoes do projeto. O Minha Arte, Minha Vida, apenas começou!

O alcance do projeto, Minha Arte, Minha Vida em números

Agora, convidamos você a conhecer as criações de cada aluno que participou do projeto.